Cacos de Espelho
O tempo e o vento detonam nossos cabelos e acendem
nossos pensamentos mais diversos.
À bem da verdade algumas pessoas se apagam literalmente
por não aceitar a realidade. Parece bom.
A realidade realmente é muito difícil de ser encarada
quando olhamos no espelho e ele implacável nos mostra a situação físico-decadente
enquanto acorda a alma para o momento presente e aponta o futuro inexorável.
Eu cada vez me assusto mais com a minha realidade,
comigo, com minhas marcas e cicatrizes e minha bagagem existencial.
Qual será o real valor da minha bagagem?
Quais contas eu terei de prestar a Deus pelo que fiz e
pelo que não fiz?
Quantas perguntas o espelho me traz e me faz, enquanto
impávido reflete minhas marcas físicas?!
Quando já demos muitas voltas ao redor do sol tentamos
olhar para trás e ver o mapa do caminho para ver se podíamos ter evitado os
tropeços, mas nos damos conta de que não há nada a fazer, ou a ser feito para
mudar; o que está feito, está feito!
Mas vejo também, que o que fizemos é o que sabíamos e
poderíamos ter feito mesmo.
Só podemos mudar nossos atos quando conhecemos e repetimos o caminho, mesmo assim, além de
muito raro acontecer, o cenário pode ser o mesmo e os personagens também, mas a
“fala” dos atores é outra, porque o momento é outro. As palavras mudaram, os sentimentos também, e a
constatação é de que nada volta, e nada do passado pode ser mudado; apenas
podemos ser diferentes daqui para frente.
E quando nos damos conta olhamos ao redor e vemos que
estamos sozinhos empreendendo os últimos metros da caminhada e o espelho se
partiu em mil pedaços.
É não tem volta mesmo, melhor se acostumar...
Essa é a triste realidade para o dia de hoje, um dia
qualquer, sem qualquer importância, dessa longa trajetória...
Bom domingo. ♥

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